O episódio envolvendo o vereador Edson Gaguinho, acusado de agredir o blogueiro Rafael da Juventude dentro da Câmara Municipal de São Luís, não é um fato isolado nem inédito na política brasileira. O caso guarda semelhança direta com o episódio protagonizado pelo deputado federal Glauber Braga, que empurrou um militante do MBL nas dependências da Câmara dos Deputados e quase perdeu o mandato por quebra de decoro parlamentar.
A diferença, até aqui, não está na gravidade do ato, mas na reação institucional. Em Brasília, houve representação, debate público, Conselho de Ética acionado e custo político real. Em São Luís, o que se vê é o oposto: silêncio absoluto da Câmara Municipal e nenhuma manifestação do presidente da Casa, Paulo Victor.
A acusação envolve agressão física dentro do prédio do Legislativo, local que deveria simbolizar debate, confronto de ideias e respeito às regras democráticas e não intimidação, nem força bruta contra comunicadores, blogueiros ou qualquer cidadão.
Se confirmados os fatos, a conduta de Edson Gaguinho extrapola o embate político e entra no terreno da quebra de decoro. E esse tipo de episódio não pode ser tratado como assunto menor, tampouco varrido para debaixo do tapete por conveniência corporativa.
O silêncio da Câmara Municipal de São Luís levanta uma pergunta incômoda, mas inevitável: haverá dois pesos e duas medidas? Parlamentares federais respondem por seus atos, enquanto vereadores contam com blindagem local?
Paulo Victor, como presidente da Casa, tem a obrigação institucional de se posicionar, esclarecer se haverá apuração interna e dizer se a Câmara aceita ou normaliza episódios de violência em seus corredores. O que está em jogo não é apenas o futuro político de um vereador, mas a credibilidade do Legislativo ludovicense.
Se em Brasília um empurrão quase custou um mandato, em São Luís o mínimo esperado é investigação, transparência e responsabilidade. O silêncio, nesse caso, é outro soco na liberdade de expressão e liberdade de imprensa e isso diz muito sobre o presidente e vereadores.

