
O deputado estadual Rodrigo Lago mais uma vez inclui familiares de políticos para defender o indefensável.
Sem apresentar uma única prova, Lago recorre ao expediente mais fácil da retórica política: insinua, sugere, levanta suspeitas no ar e joga para o público a tarefa de completar o raciocínio. Desta vez, o alvo indireto são pessoas que não estão na investigação, não exercem função política no caso e não têm qualquer papel formal nos fatos apurados.
Ao citar a relação laboral da esposa de Orleans Brandão com um gabinete do Judiciário, o deputado tenta construir uma narrativa de interferência sem apresentar documento, ato, prova ou evidência concreta. É uma acusação por associação. E só.
O problema não é apenas a fragilidade do argumento. É o método.
Quando falta prova, entra a insinuação. Quando o fato não sustenta o discurso, amplia-se o alcance e puxa-se quem está fora do processo. Familiares viram instrumento político. Relações pessoais viram “indício”. Coincidências viram narrativa.
É uma distorção deliberada do debate público.
O que está em discussão é uma investigação conduzida pelo Ministério Público sobre o vice-governador Felipe Camarão. É ali que deveriam estar as perguntas, as cobranças e as respostas.
Mas Rodrigo Lago escolhe outro caminho.
Prefere contaminar o ambiente com suspeitas genéricas, deslocar o foco e tentar dividir o desgaste. Em vez de esclarecer, confunde. Em vez de provar, sugere.
E, no processo, ultrapassa uma linha que deveria ser básica: a de não envolver quem não é parte do caso.
Sem prova, não há denúncia.
O que há é apenas narrativa — e, desta vez, construída às custas de terceiros.

