
Othelino Neto subiu à tribuna da Assembleia em modo desabafo. Ou talvez em modo lamento mesmo. O discurso desta semana teve um alvo claro: o avanço político de Carlos Brandão e Orleans Brandão em Pinheiro, cidade que durante anos o ex-presidente da Alema tentou fazer seu curral eleitoral, sem sucesso.
O incômodo não parece ser apenas institucional. É pessoal. Político. E simbólico.
Brandão e Orleans conseguiram reunir em Pinheiro praticamente todas as forças políticas locais. Prefeitos, ex-prefeitos, vereadores, lideranças comunitárias e até figuras que orbitavam o grupo de Othelino passaram a dividir o mesmo palanque governista. E isso mexe diretamente com um deputado que sempre vendeu a imagem de controlar os rumos da política pinheirense.
O detalhe que transforma o discurso em algo ainda mais indigesto para o campo oposicionista está justamente na memória recente da eleição municipal. O candidato apoiado por Othelino na disputa pela prefeitura — aquele mesmo grupo em que ele indicou o próprio cunhado para compor a chapa como vice — hoje já vê aliados dialogando naturalmente com o Palácio dos Leões.
Na política, poucas coisas doem mais do que perder adversários. Talvez só uma: perder aliados.
O problema para Othelino é que o discurso de enfrentamento vai ficando cada vez mais solitário enquanto Brandão amplia pontes no interior. E Orleans, que muitos tentavam vender apenas como “candidato de laboratório”, começa justamente a ocupar espaços que antes pareciam inalcançáveis ao governo.
E no fundo, por trás de toda a retórica contra Brandão, existe um fato difícil de esconder: o grupo do governador entrou em um território que Othelino considerava seu. Talvez esse seja o verdadeiro motivo do chororo.
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