
A mesma Justiça que concedeu liberdade ao prefeito de Igarapé Grande, João Vitor Peixoto Moura Xavier — acusado de assassinar o policial militar Geidson Thiago da Silva dos Santos durante uma vaquejada em Trizidela do Vale — é a que até hoje não garantiu a pensão por morte para a viúva e os filhos da vítima.
O advogado Khalleb Rodrigues, que representa a família do policial, relata que em 30 de julho foi protocolado o pedido administrativo de pensão, direito assegurado aos dependentes de servidores militares. No entanto, o requerimento segue sem julgamento, deixando a família em situação de vulnerabilidade.
“A viúva enfrenta dificuldades financeiras sérias, já que o policial era o principal provedor. Há contas de cartão atrasadas, dívidas domésticas e até a energia solar da residência está comprometida”, afirma Rodrigues.
Enquanto isso, em decisão recente, o Tribunal de Justiça do Maranhão (TJ-MA) concedeu liminar de habeas corpus que colocou o prefeito João Vitor em liberdade, com monitoramento eletrônico.
A defesa do sobrinho de Erlânio Xavier (ex-prefeito de Igarapé Grande), alega legítima defesa, sustentando que o policial iniciou a agressão armado e embriagado.
O advogado da família, porém, chama atenção para o contraste:
“A Justiça que concedeu liberdade ao réu confesso do assassinato foi a mesma que negou o pedido de alimentos para a viúva e os filhos. Mesmo após recurso, por meio de agravo de instrumento ao TJ-MA, o benefício também foi negado”, critica.
O caso levanta debate sobre dois pesos e duas medidas do Judiciário: de um lado, a celeridade para conceder liberdade ao acusado; de outro, a demora e negativa em assegurar a subsistência de uma família que perdeu o pai e provedor.
Enquanto o processo criminal segue em tramitação, caberá à Justiça decidir não apenas o destino do prefeito João Vitor, mas também se fará valer os direitos da família do policial Geidson, que aguarda por reconhecimento e amparo legal.

