
Esta terça-feira, 24 de fevereiro, entrou para a história da Assembleia Legislativa do Maranhão não apenas pelos seus 191 anos de fundação, mas também por uma ausência que falou mais alto do que muitos discursos.
Chamou atenção o não comparecimento do ex-presidente da Casa, Othelino Neto, à sessão solene comemorativa. O detalhe é que ele participou normalmente da sessão ordinária realizada pouco antes. Ou seja: esteve no plenário, mas não permaneceu para celebrar a história da instituição que já presidiu.
A ausência não parece ter sido mero desencontro de agenda. O gesto carrega simbolismo e ressentimento.
O contexto ajuda a entender. Pela primeira vez em 191 anos, a Assembleia maranhense é comandada por uma mulher: Iracema Vale. E não apenas isso. A data coincide com os 94 anos da conquista do voto feminino no Brasil, marco histórico da participação política das mulheres. O cruzamento das datas torna o momento ainda mais emblemático.
Iracema não apenas assumiu a presidência, ela consolidou dois mandatos consecutivos no comando do Legislativo estadual. Um feito que, goste-se ou não, já está inscrito na história política do Maranhão.
Othelino, por sua vez, tentou por reiteradas vezes reverter na Justiça o resultado da eleição interna da Casa. Levou a disputa até o Supremo Tribunal Federal. Não conseguiu.
Diante desse cenário, a ausência na solenidade dos 191 anos ganha contornos políticos claros. Não é apenas a falta de um ex-presidente em um evento institucional. É o silêncio de quem não conseguiu tomar na marra o poder de uma mulher.

