Diretor do Butantan prevê 5 mil mortes diárias no Brasil e “abril dramático” pela Covid-19

Dimas Covas se mostrou pessimista sobre o combate à pandemia no Brasil (AP Photo/Andre Penner)
Dimas Covas se mostrou pessimista sobre o combate à pandemia no Brasil (AP Photo/Andre Penner)
  • Dimas Covas considerou que as mortes vão crescer e atingir 5 mil por dia no país em abril
  • Diretor criticou a forma como Bolsonaro tem conduzido a pandemia no Brasil e a chamou de “darwinismo social”
  • Ele ainda se mostrou pessimista sobre a capacidade do país de avançar na compra de vacinas

Diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas fez previsões nada otimistas sobre a Covid-19 para o mês de abril. Em entrevista ao jornal Valor Econômico, ele disse acreditar que viveremos um período “dramático” e que o Brasil poderá chegar em breve a cinco mil mortes diárias por causa do vírus.

“Estamos num momento em que a velocidade de transmissão ainda é muito alta. Abril vai ser o mês dramático para o Brasil. Os próximos 15 dias serão muito dramáticos. Veja, há uns 20 dias, parece que ninguém imaginava que iríamos checar à casa dos 3 mil mortos por dia. Os especialistas apontavam que estávamos caminhando disso, mas a opinião geral da população não era essa. E então cruzamos a casa dos 2 mil, já passamos na casa dos 3 mil, estamos indo para os 4 mil e vamos chegar a 5 mil mortes por dia”, disse.

Covas lamentou a falta de sincronia entre as medidas adotadas por municípios e estados e fez críticas à condução da pandemia pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Para o diretor, a única forma de reduzir o número de mortes é enrijecer o isolamento social em todo o país.

Covas criticou a forma como Bolsonaro tem agido na pandemia (AP Photo/Eraldo Peres)
Covas criticou a forma como Bolsonaro tem agido na pandemia (AP Photo/Eraldo Peres)

“O presidente acha que ficar em casa é coisa de maricas. Mas quando ele sai e leva seus seguidores para o meio da praça, ele está fazendo o jogo do vírus. Ele está fazendo darwinismo social. Expõe as pessoas ao vírus: os resistentes sobrevivem e os outros morrem”, apontou

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