
A conta não fecha. E não fecha por uma razão simples: política não pode fingir que os números não existem.
Aliados do ex-governador e hoje ministro do STF Flávio Dino passaram a defender que Orleans Brandão seja vice numa eventual chapa encabeçada pelo atual vice-governador Felipe Camarão em 2026.
A tese seria preservar a unidade do grupo.
O problema é que, até aqui, todas as pesquisas conhecidas colocam Orleans muito à frente de Camarão na corrida pelo Palácio dos Leões.
Se Orleans aparece como o nome mais competitivo do campo governista, por que ele aceitaria ser vice?
A proposta soa menos como estratégia de vitória e mais uma tentativa dos dinistas garantirem seus mandatos e retornarem ao controle dos cofres dos Leões.
Outra pergunta inevitável surge: num eventual governo liderado por Camarão, quem teria a palavra final?
O governador formal ou o núcleo político mais experiente que orbita o grupo?
O deputado federal Márcio Jerry é frequentemente citado como um dos principais articuladores desse campo.
Não se trata de afirmar que ele “mandaria”, mas é inegável que seu peso político é relevante e sua sanha de vingança aparece em declarações públicas.
E há ainda um componente simbólico: confiança. O governador Carlos Brandão confiaria plenamente na condução do projeto a Camarão?
O mar de dívidas em uma decisão como essa já coloca em xeque uma concretização de acordo neste sentido.

