
A saída de Eduardo Braide da Prefeitura de São Luís para disputar o Governo do Maranhão deixou como principal passivo uma crise estrutural no transporte público da capital. A responsabilidade agora recai sobre sua então vice, Esmênia Miranda, que assume o comando do município em meio a um sistema pressionado por falências, ameaças de paralisação e perda de controle operacional.
Desde 2016, quando disputou pela primeira vez a prefeitura, Braide apresentou o transporte público como uma de suas principais bandeiras. A promessa foi repetida na campanha vitoriosa de 2020 e reforçada na reeleição. Na prática, no entanto, o cenário que se consolidou ao fim de sua gestão é de deterioração do serviço, com empresas operadoras em colapso financeiro e o risco crescente de descontinuidade da oferta de ônibus.
Atualmente, ao menos duas empresas do sistema já enfrentam situação de falência, enquanto outras operam sob forte instabilidade, levantando o risco de um efeito dominó que pode comprometer toda a rede. A fragilidade econômica das concessionárias se soma à dependência de subsídios públicos e à incapacidade de reequilibrar os contratos, ampliando o impasse entre poder público e operadores.
Com o enfraquecimento do sistema formal, cresce o risco de avanço de alternativas de transporte precárias ou irregulares. Em cenários semelhantes, como o registrado em Teresina, o colapso do transporte público abriu espaço para a expansão desordenada do transporte alternativo e clandestino, em alguns casos associado à atuação de organizações criminosas.
A ausência de uma solução estruturante pode levar a capital maranhense a um ponto crítico, com redução drástica da frota, interrupções frequentes e perda de controle sobre a mobilidade urbana.
A crise chega ao colo de Esmênia como um dos primeiros e mais urgentes testes de sua gestão. A nova prefeita terá que apresentar respostas rápidas para evitar o colapso de um serviço que foi negado por Braide. A deterioração já impacta diretamente a rotina de milhares de usuários na capital.

