Quem lidera quem na esquerda maranhense?

A partir de uma selfie e de um encontro com partidos da extrema-esquerda, mídia alinhada tenta construir uma liderança de Camarão que nem o próprio texto consegue sustentarA tentativa de apresentar o vice-governador Felipe Camarão como liderança consolidada da esquerda maranhense esbarra, antes de tudo, nos próprios fatos descritos pela matéria que busca promovê-lo. O texto — escrito na cozinha da casa da vice-governadoria — se apoia mais em deduções e projeções do que em gestos políticos concretos capazes de sustentar a tese que tenta vender.

O ponto de partida é simbólico: uma selfie. Nela aparecem Felipe Camarão, Márcio Jerry (PCdoB), Rubens Pereira Jr (PT) e Carlos Lula (PSB).

Não há novas adesões, não há ampliação do campo político e tampouco sinais de um movimento capaz de redefinir o tabuleiro estadual.

Trata-se, essencialmente, do mesmo núcleo que já atua em conjunto há anos, apresentado como se representasse um salto político inexistente.

A matéria também tenta atribuir peso estratégico à presença de partidos como PSOL e Rede, tratados como evidência de uma ampla coalizão em formação.

Ocorre que esses partidos possuem baixa densidade eleitoral no Maranhão e não exercem protagonismo em disputas majoritárias. Mais do que isso, o PSOL, citado como parte do ambiente político do encontro, já tem candidato próprio ao governo do Estado: Enilton Rodrigues.

O dado, ignorado no texto, desmonta a ideia de unidade e revela que não há liderança reconhecida, mas sim convivência circunstancial.

Outro artifício recorrente é o uso de temas nacionais — como a luta contra a extrema-direita, a reeleição de Lula e a defesa das instituições — para inflar um cenário local que não se confirma.

O fato de o PT nacional buscar quadros de confiança não transforma automaticamente Felipe Camarão no nome que Lula busca no Maranhão.

O texto descreve uma estratégia nacional e, sem provas, tenta colá-la em um projeto estadual que ainda não se materializou.

A mesma lógica se aplica à tentativa de atribuir força política a Rubens Pereira Jr como forma indireta de validar Felipe Camarão. A matéria sugere que Rubens teria influência decisiva no PT nacional, trânsito junto ao presidente Lula e conhecimento antecipado dos rumos do partido no Maranhão.

No entanto, não apresenta qualquer declaração pública, gesto político ou movimento concreto que confirme esse suposto alinhamento. Tudo permanece no campo da narrativa.

É justamente aí que o texto se contradiz de forma mais evidente. Ao inflar Rubens Pereira Jr para tentar chancelar Felipe Camarão, a própria mídia alinhada acaba invertendo a lógica que pretende sustentar.

Se Rubens é quem tem o trânsito, a influência e a capacidade de sinalizar decisões nacionais, por que Felipe Camarão aparece como o líder consolidado?

E se Camarão é o líder da esquerda maranhense, por que a validação precisa vir de outro quadro do mesmo partido?

A matéria, ao tentar responder a essa equação, não define liderança — apenas se perde no mundo da fantasia.

Oscila entre vender Rubens como fiador político e Camarão como protagonista, sem conseguir demonstrar, na prática, quem conduz o campo progressista no Estado.

No fim, o esforço narrativo revela mais do que esconde: a liderança que se tenta anunciar ainda não está posta. E a mídia que se propõe a construí-la precisa, antes de tudo, decidir quem lidera quem na esquerda maranhense.

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