A gestão do prefeito Preto parece ter feito uma escolha clara: virar as costas para a educação, silenciar sobre escândalos e brincar de gestor enquanto professores acumulam prejuízos históricos. Em meio às denúncias da chamada máfia do Fundeb, a prefeitura adota o silêncio como política oficial. Quando o assunto é direito de servidor, a resposta é negação. Quando se trata de festa, o cofre público se abre sem pudor. R$ 1 milhão para um show de Léo Santana.
A incorporação do reajuste dos professores não é favor nem benefício extra. É um direito que vem sendo negado desde o reajuste nacional concedido no governo Jair Bolsonaro. À época, o então prefeito Carlinhos Barros, assessorado por pessoas que conheciam bem o impacto da decisão, escolheu pagar o reajuste como gratificação e não como salário base.
O efeito dessa manobra é cruel e permanente. Professores perderam reflexos em férias, décimo terceiro e progressões. O dano maior aparece no futuro, com aposentadorias menores e pensões reduzidas. A injustiça não atinge apenas quem está na ativa. Atinge também aposentados e pensionistas que hoje pagam a conta de decisões administrativas irresponsáveis.
O mais grave é que a atual gestão não apenas herdou o problema como decidiu mantê-lo. O prefeito Preto não apresenta solução, não abre diálogo e não demonstra qualquer interesse em corrigir o erro. A omissão virou método. E omissão também é decisão política.
Enquanto professores lutam para sobreviver com salários desvalorizados, a prefeitura anuncia gastos milionários com eventos. Fica a pergunta inevitável. Como pode não haver dinheiro para corrigir um direito básico da educação, mas haver R$ 1 milhão para um único show?
A contradição é ofensiva. Expõe uma gestão mais preocupada com palco, luz e aplausos do que com salário, aposentadoria e dignidade. O recado aos educadores é claro. Eles não são prioridade.
O silêncio sobre o Fundeb, a recusa em incorporar o reajuste e o desprezo pelos aposentados revelam um governo que prefere festa ao compromisso com a educação. Em Vargem Grande, quem ensina paga a conta, enquanto quem governa distribui ingresso.

