Braide deveria interromper vaias a Fufuca e cobrar respeito

Candidato a senador do PP foi vaiado por bolsonaristas presentes na convenção após citar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante o evento de homologação da chapa do PSD

André Fufuca é vaiado ao mencionar lealdade a Lula em convenção de Braide (Foto: Reprodução)

Muita gente associa liderança à capacidade de resolver problemas rápido. E, sim, líderes precisam agir sob pressão. Contudo, na convenção estadual que oficializou a chapa do PSD no Multicenter, em São Luís, o ex-prefeito Eduardo Braide não agiu como um líder ao silenciar-se após o deputado André Fufuca, candidato a senador do PP, ser vaiado por bolsonaristas ao citar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante o ato. Ou seja, em nenhum momento ele se dirigiu aos seus apoiadores e cobrou respeito ao aliado. É assim que age os lideres que adotam posturas neutras em campanhas eleitorais.

A vaia a Fufuca aconteceu no início do seu discurso, quando ele mencionou o nome do presidente Lula. A convenção contava com uma base de apoio plural e heterogênea de Braide, incluindo setores conservadores e bolsonaristas que reagiram negativamente à menção ao chefe do executivo federal. O candidato pessedista, que posou recentemente com o deputado federal Rubens Júnior (PT) e eleitores lulistas para mostrar sua ‘neutralidade’ na disputa, permaneceu em silêncio hoje diante das vaias.

Lula já repudiou hostilidade

Liderar é proporcionar um ambiente no qual as pessoas possam agir com mais confiança, discernimento e responsabilidade. Foi exatamente isso que Lula conseguiu em duas ocasiões específicas, quando seus apoiadores agiram de forma hostil em eventos do governo com convidados presentes.

O primeiro ato ocorreu em julho de 2024, quando o presidente pediu respeito ao prefeito de Campinas, Dário Saadi (Republicanos), vaiado durante a entrega das obras do BRT na metrópole. Antes que Dário conseguisse falar, Lula interviu. “O prefeito é um convidado do governo federal para vir nesse negócio. Então, não é correto a gente convidar pessoas, a pessoa vir aqui e ser recebido dessa forma”. Saiba mais aqui.

No segundo episódio, em maio deste ano, durante cerimônia de lançamento dos investimentos da Petrobras em Sergipe, o presidente pegou o microfone para interromper as vaias dos participantes direcionadas ao senador Laércio Oliveira (PP-SE). O chefe do Executivo ressaltou que, mesmo se tratando de um parlamentar de oposição, o congressista estava lá a convite do governo, e deveria ser respeitado.

Confira o momento:

Comunicação ruim não trava apenas tarefas. Ela compromete confiança. Porque, quando a equipe ou o grupo não sabe exatamente o que fazer, passa a agir com medo de errar. E times que trabalham com medo dificilmente inovam, propõem ou crescem.

O silêncio de Braide frente à hostilidade em relação a Fufuca acabou agradando aos bolsonaristas e irritando os lulistas, que constituem a maior parte do eleitorado no estado. A falta de liderança, mesmo quando improvisada, foi evidenciada, e a convenção do PSD mostrou ao eleitorado maranhense exatamente o que a campanha braidista mais temia: a nacionalização da campanha estadual.

 

Blog do Isaias Rocha

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