
Oligarquia é só para os outros? Márcio Jerry vê esposa confirmada como suplente ao Senado enquanto critica sucessão familiar
Enquanto intensifica o discurso contra a candidatura de Orleans Brandão, ao Palácio dos Leões, o deputado federal Márcio Jerry (PCdoB) enfrenta um questionamento sobre a coerência da própria narrativa.
Isso porque o PCdoB confirmou, nos últimos dias, Joslene Rodrigues, a Lene Rodrigues, esposa de Márcio Jerry, como primeira suplente da senadora Eliziane Gama (PT) na disputa pela reeleição ao Senado. A decisão foi mantida pela direção estadual do partido, mesmo após divergências internas sobre a composição da chapa.
A escolha ocorre justamente no momento em que Jerry tem adotado um discurso contundente contra aquilo que classifica como “oligarquia familiar” na política maranhense, ao passo que fortalece a sua família e se aproxima de outras oligarquias pelo estado.
A situação, porém, abre espaço para uma inevitável comparação política.
Não é a primeira vez que pessoas da mesma família ocupam posições estratégicas ligadas ao deputado. Quando Márcio Jerry deixou a Secretaria de Estado das Cidades (Secid), durante o governo Flávio Dino, Lene Rodrigues assumiu o comando da pasta, reforçando a presença do núcleo familiar em cargos de relevância na administração estadual.
E agora, com a confirmação da primeira suplência ao Senado, volta à tona uma pergunta que já circula nos bastidores da política maranhense:
O discurso contra projetos familiares vale apenas para os adversários?

