Presidente do PSDB afirma que partido deve ficar sem candidatura própria e evitar apoio a Lula ou Flávio Bolsonaro na disputa presidencial
O deputado federal Aécio Neves (PSDB-MG), presidente nacional do PSDB, desistiu de disputar a Presidência em 2026 e afirmou que a legenda tende a permanecer neutra entre o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) na eleição presidencial. Segundo ele, o partido deve evitar candidatura própria neste momento e concentrar esforços na reconstrução interna e na formulação de um projeto político para 2030, em meio a um cenário que classificou como marcado pela radicalização, em entrevista ao jornal O Estado de São Paulo.
“Depois de muitas conversas internas, tenho que afirmar, em primeiro lugar, que o PSDB caminha para não ter candidatura própria nesta eleição. Isso foi cogitado há pouco tempo. Eu próprio, você se lembra, sugeri o nome do governador Ciro Gomes como a nossa alternativa. Logo depois ele próprio, lideranças como Tasso Jereissati, Roberto Freire, dentre outras, sugeriram meu nome como esse candidato. Mas nós chegamos à conclusão de que nós temos que ter os pés no chão e sim iniciar a construção de um projeto vigoroso para 2030”, declarou Aécio.
A hipótese de uma candidatura presidencial do tucano ganhou força em meio à crise enfrentada por Flávio Bolsonaro após a revelação de sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Naquele momento, Aécio chegou a receber apoio de dirigentes partidários, como Paulinho da Força, presidente do Solidariedade, e Alex Manente, presidente do Cidadania, para uma eventual candidatura nacional. A articulação, porém, não avançou.
Na avaliação do presidente tucano, o ambiente político atual dificulta a consolidação de uma alternativa de centro. Ele afirmou que a federação PSDB-Cidadania deve se reunir em breve para discutir os próximos passos, mas sinalizou que o caminho mais provável é a neutralidade na eleição presidencial.
“Nós vamos ter uma reunião da federação PSDB-Cidadania em breve, talvez nessas próximas duas semanas. O caminho natural hoje, depois de discutirmos até as possibilidades de uma candidatura, é o apoio a uma candidatura no centro. Mas o que nós percebemos é que, a três meses das eleições, ficou muito difícil furar essa bolha. Então, vamos dar um passo atrás para dar vários na frente e construir um projeto de Brasil a partir de agora já destas eleições”, afirmou.
Aécio também criticou o que chamou de tentativa de “ideologizar o debate” e previu uma campanha marcada por forte confronto político. Para o dirigente tucano, a eleição tende a ser “a mais fratricida da história recente do Brasil”, o que reforçaria a decisão do PSDB de não se alinhar automaticamente a Lula nem a Flávio Bolsonaro.

