
Toda vez que uma sessão da Assembleia Legislativa não acontece, parte da oposição corre para as redes sociais para atribuir a responsabilidade ao governo Carlos Brandão. A narrativa, porém, esbarra em um detalhe simples: o governador não tem a chave para a abertura das sessões da Casa.
Nesta quinta-feira, deputados oposicionistas que costumam cobrar funcionamento do Parlamento chegaram após o horário regimental. Rodrigo Lago chegou ao plenário depois das 9h40. Othelino Neto chegou após as 10h. Júlio Mendonça também compareceu depois do horário previsto para o início dos trabalhos.
O grupo político ligado ao ex-governador Flávio Dino possui força suficiente para contribuir com a abertura da sessão. Somente o bloco dos chamados dinistas reúne oito deputados, número superior ao mínimo exigido para instalação dos trabalhos, que são seis.
Pelo Regimento Interno da Assembleia, qualquer deputado que esteja presidindo os trabalhos pode abrir a sessão, desde que haja o número mínimo de parlamentares presentes. Ou seja, quem reclama da falta de sessão também poderia colaborar para que ela acontecesse.
Sem comparecer no horário e sem garantir presença para iniciar os trabalhos, a crítica perde força política e acaba soando mais como discurso para as redes sociais do que como preocupação efetiva com o funcionamento do Legislativo. Afinal, cobrar sessão sem ajudar a abri-la é uma contradição difícil de explicar ao eleitor.

