
A crise entre a Câmara Municipal de São Luís e o Executivo interino começa a ganhar contornos políticos mais profundos do que apenas a ausência de secretários em convocações oficiais.
O discurso duro do vereador Raimundo Penha, nesta terça-feira (26), expôs um sentimento que já circula nos bastidores da própria gestão: a percepção de que a prefeita em exercício, Esmênia Miranda, ainda não conseguiu imprimir autoridade sobre a máquina administrativa e segue dependente da estrutura política e dos indicados ligados ao ex-prefeito Eduardo Braide e pré-candidato ao Governo.
Nos corredores da Secretaria Municipal de Saúde (Semus), os comentários são de que a cadeia de comando continua exatamente a mesma, sem qualquer participação efetiva da atual prefeita nas decisões estratégicas da gestão. A avaliação, compartilhada inclusive por vereadores da base, é de que os auxiliares indicados por Braide seguem operando como se nada tivesse mudado, ignorando não apenas a titularidade de Esmênia, mas também a relação institucional com a Câmara Municipal.
Foi nesse contexto que Raimundo Penha subiu à tribuna para cobrar respeito às prerrogativas do Legislativo. Irritado com o não comparecimento das titulares da Semus e da SMTT, o vereador afirmou que “até a Copa do Mundo já convocou”, mas a Câmara não consegue fazer com que secretários prestem esclarecimentos.
O discurso ganhou apoio de parlamentares da base e da oposição, além do próprio presidente da Casa, Paulo Victor, que ameaçou acionar a Procuradoria da Câmara caso as ausências persistam.
O episódio acendeu um alerta político dentro do Palácio La Ravardière.
A ausência dos secretários passou a ser interpretada não apenas como desgaste administrativo, mas como demonstração de que a gestão interina não consegue estabelecer autoridade sequer sobre o primeiro escalão. Os vereadores já começam a tratar o episódio como uma evidência pública da dependência política e administrativa de Esmênia em relação ao núcleo duro do pré-candidato ao governo do Maranhão, Eduardo Braide.
A situação se agrava porque a crise ocorre justamente em áreas sensíveis da administração, como Saúde e Transporte. No caso da Semus, Raimundo Penha ainda aproveitou para cobrar explicações sobre o contrato superior a R$ 600 mil para compra de papel, ironizando a destinação do material e insinuando necessidade de maior transparência nos gastos da pasta.

