Quando Brasília fala mais alto: o PT e o poder no Maranhão

Brasil | Partido dos Trabalhadores

A história do PT no Maranhão mostra que, nos momentos decisivos, o partido sempre optou menos pelo discurso e mais pela capacidade real de entrega política. E quando se observa o passado com atenção, o presente deixa de parecer surpresa.

Em 2010, o PT maranhense viveu um dos seus dilemas mais emblemáticos. Por uma margem apertada — apenas dois votos — o diretório estadual decidiu apoiar Flávio Dino ao governo. A escolha representava identidade ideológica e alinhamento com setores históricos do partido no estado.

Mas essa decisão não prevaleceu.

A executiva nacional do PT, com Lula no centro das articulações, fez outra leitura e escolheu Roseana Sarney. O motivo não foi simpatia política, mas capacidade de entrega. O grupo Sarney era o único que podia garantir ao PT aquilo que o projeto nacional exigia naquele momento: dois senadores aliados e uma bancada robusta de deputados federais.

E entregou.

O resultado consolidou uma verdade incômoda para muitos militantes: quando o jogo é nacional, o PT decide olhando para o Congresso, não apenas para o palanque estadual.

Quase duas décadas depois, o roteiro se repete.

Hoje, o PT do Maranhão se vê diante de outra bifurcação. De um lado, projetos internos e disputas locais. Do outro, a necessidade objetiva da direção nacional: fortalecer a base de Lula no Senado e ampliar a bancada no Congresso Nacional. Nesse confronto, apenas um campo consegue atender às expectativas de Brasília.

Entre Felipe Camarão e Carlos Brandão, só Brandão reúne as condições políticas, administrativas e eleitorais para entregar o que o PT nacional precisa. Não se trata de preferência pessoal, mas de estrutura de poder.

E, diferentemente de 2010, as condições hoje são ainda mais favoráveis ao PT. Todas as frentes do partido estão contempladas no governo estadual — do primeiro ao último escalão. Há espaço institucional, diálogo político e presença real na máquina administrativa.

Além disso, o contexto nacional é mais exigente. Lula precisa, mais do que nunca:

– De dois senadores alinhados

– De ampliar a bancada na Câmara

– De capilaridade nos estados

E de representação política nos parlamentos locais, incluindo a Assembleia Legislativa

O Palácio dos Leões tem algo que nenhum outro projeto no Maranhão consegue oferecer hoje: voto, estrutura e governabilidade. É isso que pesa na balança da executiva nacional.

Assim como em 2010, a decisão não passa apenas pelo desejo do diretório estadual, nem pela afinidade ideológica de setores internos. Ela passa pela pergunta central que o PT sempre se fez quando Lula está no Planalto: Quem consegue entregar o que o projeto nacional precisa?

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