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O PCdoB do Maranhão nunca foi exatamente um partido de base. Sua força política não nasceu da militância orgânica, nem de enraizamento social duradouro. Cresceu, sobretudo, atrelado ao poder institucional, ao controle da máquina e à capacidade de distribuir cargos, verbas e medo enquanto esteve protegido pelo Palácio dos Leões.
Durante os anos em que Flávio Dino ocupou o governo, o partido se beneficiou de um ambiente em que dinheiro, poder e medo político caminharam juntos. O temor de enfrentar o governo e perder espaços foi um elemento central para a sobrevida e a expansão do PCdoB. Não se tratava apenas de hegemonia eleitoral, mas de um sistema de dissuasão política bem conhecido nos bastidores.
Nesse contexto, nomes como Márcio Jerry, Rodrigo Lago e Othelino Neto ganharam projeção. Não por força eleitoral própria consistente, mas pela posição estratégica que ocupavam dentro do governo e da estrutura estatal. Cresceram sob as tetas dos Leões, sustentados pela lógica de que estar no entorno do Palácio era condição suficiente para manter-se na mesa das grandes decisões.
O problema é que essa equação deixou de existir.
Sem Flávio Dino no comando local, sem o controle da máquina e com a reorganização do poder estadual, o PCdoB passou a revelar sua fragilidade mais evidente: a ausência de densidade eleitoral. O partido não forma lideranças competitivas fora do governo, não empolga eleitorado próprio e não impõe respeito político quando não controla canetas ou orçamentos.
A perspectiva para as próximas eleições é ainda mais dura. Nos cálculos internos mais realistas, o PCdoB corre sério risco de não eleger nenhum deputado, repetindo ou até aprofundando o esvaziamento já percebido nos últimos anos. O partido entra na disputa para cumprir tabela.
Esse cenário se agrava pelo fato de o PCdoB integrar a Federação PT–PCdoB–PV. Longe de somar, a legenda tende a atrapalhar o desempenho do PT, diluindo votos, e atrapalhando a estratégia do PT de ter mais representatividade no Congresso Nacional. Internamente, petistas já avaliam que o peso morto da federação pode custar cadeiras.
Hoje, o PCdoB não assusta adversários. Sua capacidade de barganha diminuiu drasticamente, e sua presença no debate político se resume à histeria na Assembleia Legislativa e chantagens de quem um dia já mandou.
O que se observa é um partido que foi forte enquanto governou, mas que demonstra dificuldade concreta de existir longe do poder. A política do medo não se sustenta sem a máquina.

