
Filhos de dois membros da equipe do prefeito de Vargem Grande, Raimundo Nonato Rodrigues da Costa – o ‘Preto’ (PP), podem ser alvo de investigação por terem recebido valores referentes às sobras do rateio do Fundeb, mesmo estudando fora da cidade, incluindo um estudante que cursa faculdade no exterior. Um dos casos é o de Lorranna Gabryella Fortes Bezerra, filha da secretária adjunta de Educação, Vivia Fortes.

Os extratos bancários revelam que Lorranna Gabryella recebeu quatro depósitos: um no valor de R$ 6.050,19, outro de R$ 4.413,49, um terceiro de R$ 9.919,76 e um último de R$ 7.114,88, totalizando R$ 27.498,32.
Documento obtido pelo blog de Isaías Rocha mostra a filha da adjunta entre os convocados para a entrega de documentos de pré-matrícula para o curso de agronomia – bacharelado integral no Campus da UFMA em Chapadinha, conforme a lista divulgada em fevereiro de 2024. Eis a íntegra (PDF – 746 KB)
O problema, contudo, é que ao comentar sobre a denúncia nessa sexta-feira, 9, o vereador Jociedson Aguiar (PL) revelou que Gabryella na verdade estaria fazendo faculdade em São Luís, localizada a 172 km da cidade vargem-grandense onde ela recebeu a bonificação ou deveria trabalhar.
Caso seja constatada a vinculação da estudante na folha de pagamento da Secretaria de Educação onde a mãe ocupa o cargo de adjunta, além da prática de nepotismo, também pode ficar configurada outras irregularidades, uma vez que a beneficiária do abono pode não ter cumprido expediente.
“Enfermeira” do Fundeb
O que causa curiosidade é que no seu perfil do Instagram @lg_fortes, a jovem de 23 anos se descreve não como uma profissional da educação, mas como “enfermeira”. Ou seja, a gestão do prefeito Preto não paga piso salarial para profissionais da enfermagem, mas optou por conceder um “abono” do Fundeb para uma “enfermeira” que não exerce a profissão, apenas se dedica aos estudos.

‘Fraude internacional‘
Gabryella Fortes não é um caso isolado. O filho de outra integrante da gestão municipal também figura como um dos destinatários do abono. A diferença entre os dois, no entanto, é que o ‘profissional da educação’ é um estudante que cursa medicina fora do país, mas esse é um tema que iremos abordar em nossa próxima pauta.
Perguntas sem respostas
O blog enviou na tarde desta sexta-feira, 9, dez perguntas para a secretária adjunta Vivia Fortes com questionamentos sobre o assunto:
1 – Consta que sua filha estaria fazendo faculdade fora da cidade. Ela tem vinculo com a educação vargem-grandense? Se a resposta for afirmativa, onde trabalha e como ocorreu essa nomeação?
2 – Como sua filha conseguiu conciliar trabalho e estudos em 2025? As funções têm horários compatíveis?
3 – A prefeitura vargem-grandense, por meio da pasta que a senhora é adjunta, usou sobras do Fundeb para pagar pessoas sem vínculo com a educação, enquanto profissionais contratados ficaram sem o abono, mesmo com um saldo remanescente estimado em cerca de R$ 16 milhões. Qual o critério usado pela gestão no pagamento do rateio?
4 – Conforme a Lei 14.276/2021, todos os profissionais em efetivo exercício de suas funções nas redes de ensino estão contemplados na parcela mínima de 70% destinada ao pagamento de salários. Como as pessoas sem vínculo com a educação ou profissionais que não estavam em efetivo exercício de suas funções se encaixariam nesse perfil?
5 – Além de sua filha, algum outro familiar recebeu a gratificação do fundo que é a principal fonte de recursos para a educação básica?
6 – Os pagamentos realizados no município estão em conformidade com a legislação que estabelece critérios e a obrigatoriedade do mínimo 70% dos recursos para a valorização dos profissionais da educação, incluindo a distribuição das sobras quando esse percentual não é alcançado?
7 – Como a senhora explica a inclusão de parentes do ex-prefeito Carlinhos Barros na folha de pagamentos do Fundeb, principal fonte de financiamento da educação básica no Brasil?
8 – A senhora não teme ser responsabilizados caso as irregularidades sejam constatadas por auditoria dos órgãos de controle externos?
9 – O que motivou o não pagamento do rateio do Fundeb aos profissionais contratados, mesmo com um saldo remanescente estimado em quase R$ 16 milhões?
10 – As denúncias indicam que parte dos R$ 15 milhões, que estariam entre os R$ 33 milhões em sobras destinadas à educação, pode ter sido desviada durante o período em que o Gaeco desmantelou um esquema que resultou na prisão do prefeito, vice-prefeito e de toda a Câmara dos Vereadores em Turilândia. Não teme que uma investigação parecida em Vargem Grande, com base nas mesmas acusações?

Não respondeu
Apesar de ter sido procurada oficialmente para oferecer a sua versão dos fatos, a secretária adjunta da Semed não respondeu às solicitações do blog Isaias Rocha. O espaço segue aberto para atualizações.


